
O deputado estadual Sargento Aragão (Pros) voltou a questionar, na manhã da ultima terça-feira, 29, as aplicações financeiras do Instituto de Gestão Previdenciária do Estado (Igeprev). Aragão comentou uma reportagem veiculada em uma emissora de televisão local, em que o governo do Estado admite já ter conhecimento das irregularidades envolvendo a administração de recursos do Instituto de Gestão Previdenciária do Tocantins (Igeprev).
“Quando disse que ele [Rogério Villas Boas, ex-presidente do Igeprev era o chefe da quadrilha, não errei. Até porque o próprio governo do Estado admitiu que tinha conhecimento no rombo no Instituto, que chega a mais de R$ 300 milhões”, questionou o parlamentar.
O deputado estadual é um dos parlamentares que participam das investigações a respeito das aplicações financeiras do Igeprev. Desde março, ele cobrava a presença do ex-presidente do Instituto, na Assembleia Legislativa, para esclarecer a onda de denúncias.
Uma audiência pública, marcada para às 14 horas da próxima terça-feira, 5, no plenário na AL, irá debater o assunto. Na pauta, está a liquidação extrajudicial da empresa Diferencial Corretora de Títulos e Valores, por parte do Banco Central. A empresa administrava cerca de R$ 150 milhões do Fundo Previdenciário, o que corresponde a 5% do saldo estimado dos R$ 2,5 bilhões do fundo.
Na decisão do banco, avalia-se que só é decretada a liquidação extrajudicial, depois que a fiscalização percebe irregularidades, tais como: ausência de recursos disponíveis, desvio de dinheiro, descumprimento de normas ou não pagamento de obrigações.
De acordo com relatórios do Ministério da Previdência Social, foi constatado mais de R$ 500 milhões de investimentos temerários em apenas dois anos: 2011 e 2012, contrariando a resolução 3922, do Banco Central. “É claro que a Polícia Federal ainda está investigando as ramificações do escândalo que teria desviado R$ 300 milhões só nos últimos 18 meses, mas os relatórios do Ministério da Previdência são contundentes”, afirmou o deputado.
A auditoria realizada no Igeprev no início deste ano demonstra o outro lado da administração do patrimônio de cerca de R$ 3 bilhões do instituto. O Igeprev tem aplicado no FI Onix RF LP o equivalente a R$ 272 milhões e R$ 740 mil. Sendo que o Igeprev é o único cotista deste fundo, cujo patrimônio líquido é 100% das aplicações. Caso o fundo quebre, pode gerar uma perda de R$ 272 milhões.
A primeira aplicação foi em 3 de agosto de 2012 (R$ 108.473.328,23) - Igeprev era o único investidor deste fundo - um outra aplicação aconteceu em 9 de agosto de 2012 (seis dias depois da primeira operação financeira) e já em 31 de dezembro de 2012 as aplicações do Igeprev (do qual é o único cotista) naquele fundo estavam naqueles R$ 272.740.497,24.
Uma operação financeira completamente irregular conforme os auditores do Ministério da Previdência. Eles chegam a relatar que este fundo foi criado "apenas para acomodar" as pendências anteriores apuradas.
No balanço patrimonial do Igeprev em junho do ano passado, consta como valor total de aplicações o montante de R$ 2.111.614.287,39. Ocorre que no Demonstrativo das Aplicações e Investimentos dos Recursos (DAIR), foram informados R$ 2.392.851.334,82. Uma diferença, portanto, de R$ 281 milhões.
Para justificar, os gestores do Igeprev teriam informado aos auditores que era uma imposição Secretaria da Fazenda e que R$ 175.571.201,64 referiam-se a previsão de perdas.
Audiência dia 05 de novembro
O Sindicato dos Cirurgiões Dentistas do Estado do Tocantins convoca todos os CD’s funcionários do Estado para audiência na Assembleia Legislativa do Estado no dia 5 de novembro, às 14 horas. O assunto será o Igeprev.
Em conversa, o Deputado Sargento Aragão informou ao Presidente do SICIDETO, Dr. Ricardo Camolesi, que está recolhendo assinaturas para instalar a CPI do Igeprev e que nesta audiência, outros assuntos de interesse do funcionário público serão discutidos.
Dr. Ricardo Camolesi pede a mobilização da Classe nesse momento crucial para o futuro do funcionalismo público do Tocantins.

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