Cirurgiões-Dentistas param avenida Paulista por mais qualidade no atendimento e valorização da profissão
Às 18h da última quinta-feira, 5 de junho, cirurgiões-dentistas do Estado de São Paulo pararam, por alguns minutos, a Avenida símbolo da capital paulista, a Avenida Paulista, nos dois sentidos. A manifestação clamava por valorização da profissão e mais atenção a saúde bucal nos serviços públicos, em todas as esferas governamentais.
De jalecos brancos, com tarjas negras em sinal de luto, sinos badalavam ao som da marcha fúnebre e ao toque de sinos, os profissionais formavam, de mãos dadas, um coração, símbolo escolhido para a campanha.
Em meio ao caos da grande metrópole, um minuto de silêncio representava o apelo não apenas de cirurgiões-dentistas, mas também dos demais profissionais técnicos e auxiliares da Odontologia.
"Um cirurgião-dentista com remuneração digna é uma das premissas indispensáveis à qualificação da assistência bucal, completa dr. Marco Manfredini, secretário do CROSP.
Ainda durante o ato, balões das cores branca, preta e vermelha foram soltos pelos participantes.
Importantes representantes da classe estavam presentes, com seu imprescindível apoio, como foi o caso do dr. Graco de Carvalho Fernandes Neves, da Associação dos Profissionais de Odontologia da Prefeitura de Guarulhos (APOPG).
Outra presença na Avenida Paulista foi a do dr. Rubens Orlandi, presidente daAssociação Odontológica da Prefeitura de São Paulo (AOPSP), que destacou a importância da reconfiguração da jornada de trabalho da classe.
“Também reivindicamos um destaque do cargo para a carreira de cirurgião-dentista J20, pois sem este destaque, a equiparação salarial não será suficiente para garantir a remuneração adequada aos profissionais.”
Além das melhorias já citadas, a dra. Maria Lucia Portes, presidente do Grupo de Cirurgiões Dentistas funcionários públicos Estaduais de São Paulo, reforçava a necessidade da inclusão de um vínculo salarial e do plano de carreira.
“Queremos isso também para as prefeituras e para os colegas das outras secretarias estaduais, como a Administração Penitenciária. Se nós, cirurgiões-dentistas, podemos fazer diagnóstico e tratamento, ou seja, prescrições de medicamentos, anestesia e procedimentos cirúrgicos, podemos e devemos receber o mesmo que os médicos”, avalia.
Além da entidades já citadas, a ação recebeu o apoio do Conselho Federal de Odontologia - CFO, Associação Brasileira de Odontologia - ABO, a Federação Interestadual dos Odontologistas - FIO, Federação Nacional dos Odontologistas - FNO, Associação Brasileira de Saúde Bucal Coletiva - ABRASBUCO), Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas (APCD), Sindicato dos Odontologistas de Santos (SINDIODON), Sindicato dos odontologistas de Ribeirão Preto, Sindicato dos Odontologistas de Araraquara, Sindicato dos Odontologistas de Piracicaba e região, Sindicato dos Odontologia de Taubaté e região, Associação Paulista de Saúde Pública (APSP), Associação Paulista dos Auxiliares e Técnicos em Saúde Bucal (APATESB), além de entidades de outras áreas, como a Associação Paulista de Medicina e o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo.
"Com esse protesto, mostramos a força da odontologia de São Paulo e do Brasil. A ABCD, a APCD e demais entidades coirmãs estão unidas em torno de uma prioridade imediata: a valorização do cirurgião-dentista e a qualidade da prestação de serviço à população. Não abrimos mão disso. Enquanto nossos pleitos não forem atendidos, permaneceremos nas ruas defendendo nossos pacientes e nossos direitos profissionais", concordava dr. Silvio Cecchetto, presidente da Associação Brasileira de Cirurgiões-Dentistas (ABCD).
"É inadmissível que uma classe totalmente comprometida com a saúde da população, como a nossa, não receba a devida valorização. Somos cirurgiões-dentistas, com orgulho, e garantimos a saúde bucal dos cidadãos. Portanto, a odontologia não pode abrir mão de mais investimentos e de gestões comprometidas com a saúde bucal”, explicou dr. Cláudio Miyake, presidente do CROSP.
Neste mesmo 5 de junho, outros protestos foram realizados, com o mesmo foco, nas cidades de Sorocaba e Santos.
Com ações próprias, todas as manifestações tiveram um mesmo propósito: garantir a liberdade de expressão dos cirurgiões-dentistas.
Em Santos, por exemplo, os profissionais interromperam seus serviços e se reuniram em manifestação em frente ao Sindicato.
Compromisso
Na mesma data, uma reunião com secretário estadual de Gestão Publica, dr. Waldemir Caputo, resultou em compromisso de agilização da equiparação salarial.
Estiveram em seu gabinete o presidente do CROSP, Claudio Miyake; o conselheiro Marco Manfredini; Ivan El Murr, representante dos Servidores Públicos Estaduais ativos; e Januario Napolitano, representante dos Servidores aposentados.
O encontro teve como desfecho o compromisso assumido pelo secretário em agilizar a tramitação interna no Executivo Estadual, relativo ao envio do Projeto de Lei sobre a equiparação salarial com os médicos, há muito tempo solicitado pelos cirurgiões-dentistas, bem como a criação do plano de carreira para os profissionais da Odontologia do Estado na Assembleia Legislativa.
Vale lembrar que médicos e cirurgiões-dentistas possuíam equiparação salarial, desfeita em janeiro de 2013, com a criação do plano de carreira médica pelo Governo do Estado de São Paulo.
Outro compromisso assumido pelo Secretario foi o de verificar e regularizar os problemas no pagamento do Premio PIN aos servidores estaduais da área odontológica.