
CARTA AOS CANDIDATOS À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA ELEIÇÕES 2026
Pelo Direito à Saúde Bucal para o povo brasileiro
As Entidades Odontológicas Nacionais - Associação Brasileira de Cirurgiões-Dentistas (ABCD), Associação Brasileira de Ensino Odontológico, Associação Brasileira de Odontologia (ABO), Conselho Federal de Odontologia (CFO), Federação Interestadual dos Odontologistas (FIO) e Federação Nacional dos Odontologistas (FNO), vêm, por meio deste documento, apresentar aos candidatos à Presidência da República os pleitos prioritários da categoria.
Reconhecemos os avanços institucionais recentes, como a transformação do Brasil Sorridente em política de Estado (Lei 14.572/23) e a desoneração parcial de serviços de saúde na Reforma Tributária. No entanto, o pleno exercício da cidadania e a saúde integral dos brasileiros exigem a continuidade e o aprofundamento de reformas estruturantes que incluam a Odontologia.
Diante desse cenário, organizamos nossas proposições em quatro eixos estruturantes, entendidos como dimensões interdependentes para a garantia do direito à saúde bucal. Cada eixo articula diagnóstico e propostas concretas, compondo uma agenda integrada voltada à ampliação do acesso, à qualificação do cuidado e ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
1º EIXO: CONSOLIDAÇÃO E EXPANSÃO DA POLÍTICA NACIONAL DE SAÚDE BUCAL - BRASIL SORRIDENTE
O Sistema Único de Saúde (SUS), instaurado em 1988 com a Constituição Cidadã, é política pública inclusiva e de direito e, no âmbito do SUS, a Política Nacional de Saúde Bucal se reveste da maior importância para a grande maioria da população brasileira.
A saúde bucal é parte indissociável da saúde integral e um direito que precisa ser assegurado de forma universal, equânime e contínua. A institucionalização da Política Nacional de Saúde Bucal como política de Estado representa um marco importante, mas ainda insuficiente diante das desigualdades persistentes no acesso aos serviços. O desafio que se coloca para o próximo ciclo governamental é consolidar e expandir essa política, fortalecendo seu financiamento, ampliando sua presença nos diferentes níveis de atenção e garantindo sua integração efetiva nas redes de cuidado do SUS.
Sendo assim as propostas apresentadas a seguir buscam ampliar o acesso, qualificar o cuidado e assegurar a efetividade dessa política em território nacional:
2º EIXO: VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL E CARREIRA DO TRABALHO EM SAÚDE
A qualidade da atenção à saúde está diretamente relacionada às condições de trabalho dos profissionais que a sustentam. A precarização dos vínculos, a ausência de carreira estruturada e a desvalorização salarial fragilizam o SUS e comprometem a continuidade do cuidado. É urgente que o Estado brasileiro assuma a responsabilidade de estruturar políticas que garantam estabilidade, reconhecimento e dignidade aos trabalhadores da saúde, fortalecendo o compromisso público com o SUS e assegurando condições adequadas para o exercício ético e qualificado da profissão.
Diante desse contexto, impõe-se a adoção de medidas estruturantes voltadas à valorização do trabalho em saúde, à superação da precarização e ao fortalecimento do SUS:
3º EIXO: QUALIDADE NO ENSINO E FORMAÇÃO
A formação em saúde deve estar orientada pelo compromisso social, pela defesa da vida e pelas necessidades reais da população brasileira. No entanto, a expansão desordenada e a mercantilização do ensino têm colocado em risco a qualidade da formação em odontologia, impactando diretamente a assistência prestada à população. É necessário reafirmar a educação como um direito e um bem público, garantindo padrões rigorosos de qualidade, valorização da formação presencial e fortalecimento de políticas que integrem ensino, serviço e comunidade, formando profissionais críticos, éticos e comprometidos com o SUS e com o fazer profissional.
Nesse sentido, cabe instituir ações que consolidem parâmetros rigorosos de qualidade na formação, ampliem a integração ensino-serviço e qualifiquem a atuação profissional em consonância com as necessidades das pessoas atendidas:
4º EIXO: JUSTIÇA TRIBUTÁRIA E INCENTIVO AO SETOR
A construção de um sistema de saúde mais justo e acessível passa, necessariamente, por uma política tributária que reconheça a saúde como direito e não como mercadoria. No campo da odontologia, a atual estrutura de custos ainda impõe barreiras tanto para os profissionais quanto para a população, limitando o acesso aos serviços e comprometendo a sustentabilidade do setor.
É fundamental que o próximo governo avance na consolidação de um modelo tributário mais equitativo, capaz de reduzir desigualdades, estimular a inovação tecnológica e garantir condições dignas para o exercício profissional, sem onerar o cuidado em saúde. Deste modo, as propostas a seguir visam corrigir distorções do sistema tributário e criar condições concretas para a ampliação da oferta de serviços odontológicos no país:
Diante do exposto, reafirmamos que a saúde bucal constitui dimensão indissociável do direito à saúde e da dignidade humana, devendo ser tratada como prioridade estratégica no projeto de desenvolvimento nacional. A consolidação de políticas públicas estruturantes, o fortalecimento do Sistema Único de Saúde e a valorização dos profissionais que atuam na linha de frente do cuidado são condições indispensáveis para a construção de um país mais justo, equânime e comprometido com a vida.
Nesse sentido, conclamamos as candidaturas à Presidência da República a assumirem, de forma explícita e programática, o compromisso com a agenda aqui apresentada, incorporando-a aos seus planos de governo e às futuras ações de gestão. Trata-se não apenas de atender a uma demanda legítima de uma categoria profissional, mas de responder a uma necessidade concreta da população brasileira, que depende de políticas públicas eficazes, contínuas e orientadas pelo interesse coletivo.
Confiamos que o próximo ciclo governamental saberá reconhecer a centralidade da saúde bucal na promoção da saúde integral e na redução das desigualdades sociais, traduzindo este compromisso em medidas concretas, sustentáveis e socialmente referenciadas.
Assinam o presente:
Associação Brasileira de Cirurgiões-Dentistas (ABCD)
Associação Brasileira de Ensino Odontológico (ABENO)
Associação Brasileira de Odontologia (ABO)
Conselho Federal de Odontologia (CFO)
Federação Interestadual dos Odontologistas (FIO)
Federação Nacional dos Odontologistas (FNO)
Com o objetivo de fortalecer a valorização da Odontologia e ampliar o diálogo com os representantes políticos, o Sindicato dos Cirurgiões-Dentistas do Estado do Tocantins (SICIDETO) está realizando a entrega de uma Carta-Compromisso aos candidatos. O documento reúne propostas e reivindicações voltadas à melhoria das condições de trabalho, valorização profissional e fortalecimento das políticas públicas de saúde bucal no Estado.
A iniciativa busca sensibilizar os candidatos sobre as demandas enfrentadas pelos cirurgiões-dentistas tocantinenses, tanto os profissionais liberais quanto aqueles que atuam nos serviços públicos estaduais e municipais. A entrega do documento está sendo realizada junto às assessorias dos candidatos e, em muitos casos, pessoalmente pelo presidente do SICIDETO, Dr. Ricardo Camolesi.
Segundo o presidente da entidade, a carta foi construída com base nas principais necessidades da categoria e representa um importante instrumento de diálogo com aqueles que pretendem assumir cargos públicos.
PROPOSTAS DO SICIDETO PARA MELHORIAS NO ATENDIMENTO E GARANTIAS DE DIREITOS DA CLASSE ODONTOLÓGICA
“Nós, do SICIDETO, elaboramos propostas e compromissos fundamentados nos anseios dos cirurgiões-dentistas do Tocantins. Sabemos que existem diversas demandas e que ainda há muitas injustiças enfrentadas pelos profissionais em diferentes regiões do Estado. No entanto, também é importante destacar que nossos cirurgiões-dentistas são referência em várias áreas da Odontologia em todo o Brasil. Por isso, pedimos que os candidatos conheçam e apoiem a nossa Carta de Intenções”, destacou o presidente Dr. Ricardo Camolesi.
O SICIDETO reafirma seu compromisso com a defesa dos direitos da categoria e continuará atuando para que as pautas dos cirurgiões-dentistas sejam reconhecidas e incorporadas às agendas dos futuros gestores públicos.
FONTE: SICOM - SICIDETO

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